Reforma Tributária e Simples Nacional: O que empresários precisam começar a avaliar agora
Entenda o regime híbrido, os créditos de IBS e CBS e quando avaliar a permanência no Simples ou a migração para o Lucro Presumido.
SIMPLES NACIONALREFORMA TRIBUTÁRIA
Leal & Associados
6/8/20264 min read
A Reforma Tributária trouxe mudanças históricas para o sistema tributário brasileiro. Embora grande parte das discussões tenha se concentrado nas novas alíquotas e nos tributos que serão substituídos, existe uma pergunta que vem preocupando milhares de empresários:
O Simples Nacional continuará sendo a melhor opção após a Reforma Tributária?
A resposta é: depende.
E justamente por isso os próximos anos exigirão mais planejamento tributário do que nunca.
O Simples Nacional vai acabar?
Não.
Uma das maiores preocupações dos pequenos empresários era a possibilidade de extinção do Simples Nacional. Isso não aconteceu.
O regime foi preservado e continuará sendo uma das principais formas de tributação das micro e pequenas empresas brasileiras.
As vantagens tradicionais permanecem:
recolhimento simplificado;
menor burocracia;
menor custo operacional;
unificação de tributos.
O que muda é a forma como o Simples se relacionará com os novos tributos criados pela reforma.
Quais tributos serão substituídos?
A reforma criou dois tributos principais:
CBS
A Contribuição sobre Bens e Serviços substituirá:
PIS;
Cofins;
grande parte do IPI.
IBS
O Imposto sobre Bens e Serviços substituirá:
ICMS;
ISS.
Além disso, foi criado o Imposto Seletivo, que incidirá sobre determinados produtos e serviços considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente.
O objetivo é simplificar a tributação sobre o consumo e reduzir distorções do sistema atual.
A grande novidade: o Regime Híbrido
Talvez a mudança mais relevante para as empresas do Simples seja a criação do chamado regime híbrido.
Nesse modelo, a empresa continua enquadrada no Simples Nacional, mas passa a recolher IBS e CBS fora do DAS.
Pode parecer apenas um detalhe técnico, mas as consequências podem ser significativas.
O regime híbrido foi criado para resolver um problema antigo: a dificuldade das empresas do Simples em competir em determinados mercados devido à limitação na geração de créditos tributários.
Uma decisão importante já em setembro de 2026
Um ponto pouco comentado, mas extremamente relevante, é que para o exercício de 2027 o prazo de opção pelo Simples Nacional foi antecipado.
Tradicionalmente, a opção pelo Simples ocorre em janeiro. Contudo, para viabilizar a transição da Reforma Tributária, a opção para o ano-calendário de 2027 deverá ocorrer entre 1º e 30 de setembro de 2026.
Nesse mesmo período, as empresas optantes pelo Simples também poderão decidir como irão recolher IBS e CBS em 2027:
Permanecer no Simples Tradicional;
Optar pelo Regime Híbrido (regime regular de IBS e CBS).
Essa escolha inicial possui uma característica interessante: a opção pelo regime híbrido valerá apenas para o primeiro semestre de 2027.
Na prática, isso cria uma espécie de período de experiência.
O empresário poderá avaliar:
o impacto operacional da nova sistemática;
a aceitação dos clientes;
os efeitos sobre a competitividade da empresa;
a geração de créditos tributários;
os custos administrativos envolvidos.
Em outras palavras, o primeiro semestre de 2027 permitirá que muitas empresas "sintam na prática" como funciona o regime híbrido antes de tomar decisões de longo prazo.
Essa medida reduz riscos e oferece um ambiente de adaptação importante para empresas e profissionais da área tributária.
Por que isso é importante?
Imagine duas empresas oferecendo exatamente o mesmo serviço.
A primeira está no Simples Nacional tradicional.
A segunda está em um regime que permite ao cliente aproveitar integralmente créditos tributários.
Em muitos casos, especialmente nas relações entre empresas, isso pode influenciar a decisão de contratação.
Com a criação do regime híbrido, o legislador buscou reduzir essa diferença competitiva sem obrigar a pequena empresa a abandonar o Simples Nacional.
Quem deve prestar mais atenção à reforma?
As empresas mais impactadas tendem a ser aquelas que vendem para outras empresas.
É o caso de:
empresas de software;
consultorias;
agências de marketing;
escritórios de engenharia;
distribuidores;
prestadores de serviços empresariais em geral.
Nesses setores, a geração de créditos tributários costuma ter relevância econômica para os clientes.
Por isso, a análise entre Simples Tradicional, Simples Híbrido e Lucro Presumido passa a ser uma decisão estratégica.
E quem vende para o consumidor final?
Empresas que atuam diretamente com o consumidor final tendem a sentir impactos menores.
Entre elas:
clínicas médicas;
academias;
restaurantes;
salões de beleza;
pequenos comércios.
Nesses casos, o cliente normalmente não se preocupa com créditos tributários, o que mantém grande parte das vantagens tradicionais do Simples Nacional.
O Lucro Presumido continuará sendo interessante?
Sim.
A reforma não elimina a importância do Lucro Presumido.
O que muda é o motivo da escolha.
Antes da reforma, muitas empresas migravam para o Lucro Presumido principalmente para gerar créditos tributários aos seus clientes.
Com o regime híbrido, essa justificativa perde força.
A partir de agora, fatores como margem de lucro, faturamento, estrutura operacional e carga tributária efetiva ganham ainda mais relevância.
Empresas do Lucro Presumido podem voltar ao Simples?
Em alguns casos, sim.
Empresas que migraram para o Lucro Presumido exclusivamente para atender exigências de mercado relacionadas à geração de créditos podem passar a reavaliar sua estratégia.
Isso não significa que o Simples será sempre melhor.
Significa apenas que o cenário mudou e novas comparações deverão ser realizadas.
O que fazer agora?
A pior decisão é esperar a implementação completa da reforma para começar a analisar seus impactos.
Os próximos anos serão marcados por uma longa transição, e as empresas que se anteciparem terão mais tempo para estruturar suas operações e tomar decisões com segurança.
Para muitas empresas, especialmente aquelas que atuam no mercado B2B, o segundo semestre de 2026 será um período estratégico para realizar simulações e estudos comparativos antes da janela de opção de setembro.
A pergunta mais importante deixou de ser:
"Quanto imposto eu pago hoje?"
E passou a ser:
"Qual regime tributário gera mais valor para minha empresa e para meus clientes?"
Essa mudança de perspectiva será fundamental para aproveitar as oportunidades criadas pela Reforma Tributária.
Conclusão
A Reforma Tributária não representa o fim do Simples Nacional.
Ela representa o início de uma nova fase do planejamento tributário empresarial.
Empresas que compreendem seus números, conhecem seus clientes e acompanham as mudanças legislativas estarão melhor posicionadas para crescer e competir em um ambiente econômico cada vez mais dinâmico.
Mais do que nunca, escolher o regime tributário adequado deixará de ser apenas uma questão de impostos e passará a ser uma decisão estratégica de negócios.
E a primeira grande decisão dessa nova fase poderá acontecer já em setembro de 2026.


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